O teorema Katherine

(UM)

Na manhã seguinte à formatura do ensino médio e depois de ser dispensado por sua décima nona Katherine, o célebre menino prodígio Colin Singlenton tomou um banho de banheira. Colin sempre preferiu banhos de imersão; uma das regras fundamentais em sua vida era nunca fazer em pé qualquer coisa que pudesse realizar, com a mesma facilidade, deitado. Ele colocou os pés na banheira assim que a água esquentou, sentou-se e ficou observando, com o rosto estranhamente sem expressão, enquanto a água subia. Foi encobrindo suas pernas, que estavam dobradas e cruzadas. Colin percebeu, embora sem muito ânimo, que estava muito comprido e grande demais para aquela espaço – parecia uma criatura praticamente adulta brincando de ser criança.

Quando a água começou a banhar sua quase ausente mas nada definida barriga, ele pensou em Arquimedes. Quando Colin tinha quase uns 4 anos, leu um livro sobre Arquimedes, o filósofo grego que descobriu, ao se sentar numa banheira, que o volume de qualquer corpo poderia ser calculado com base no deslocamento da água. Ao chegar a essa conclusão, dizem, gritou “Heúreka!”¹ e saiu correndo pelado pela rua. O livro dizia que muitas descobertas importantes continham um “momento eureca”. E mesmo então, com tão pouca idade, Colin queria muito ser o autor de descobertas importantes, o que o fez perguntar à mãe assim que ela chegou em casa aquela noite:

– Mamãe, algum dia eu vou ter um “momento eureca”?

– Ah, meu querido – ela disse, pegando sua mão. – Qual é o problema?

– Eu quero ter um momento eureca – ele respondeu, da mesma forma que outra criança teria expressado a vontade de ter uma das Tartarugas Ninjas.

Ela encostou as costas da mão na bochecha dele e sorriu, os rostos tão próximos que dava para ele sentir o cheiro de café e maquiagem.

– Mas é claro, Colin, filhinho. É claro que você vai ter.

Só que as mães mentem. Está na descrição do cargo delas.

1: “Eureca!” Do grego: “Achei!”

O teorema Katherine – John Green.

Páginas 7 e 8.

Beijos!

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Publicado em 28 de julho de 2013, em Trechos dos livros e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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