Garota Exemplar – Gillian Flynn

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São exatamente 6 horas da manhã. Eu comecei o livro num dia, e na noite do outro dia não consegui parar. Viciei. Ficava “só mais umas páginas e eu paro”, mas só parei mesmo quando terminei ele.

Para começo de tudo, eu não conhecia a escritora. Nunca tinha ouvido falar dela. Mas passando pelas estantes da livraria, ele chamou minha atenção pela cor da capa super discreta e a sinopse acabou me interessando. Adoro mistério policial. Adoro tentar descobrir quem fez o que. Mas enfim, me perdoem se esse texto ficar muito longo.

Esse é um dos livros que te prendem depois de certos acontecimentos e tu só consegue largar ele depois que termina. A forma como ele foi estruturado é incrível. A mente dos personagens é doentia de uma forma boa e ruim ao mesmo tempo… não sei se posso descrever muito mais que isso sem entregar grande parte do enredo.

A história se passa nos EUA, primeiro em NYC e depois em Carthage, que é para onde os personagens principais, Amy e Nick se mudam devido ao câncer da mãe e ao desemprego dos dois. Os personagens principais dessa história são casados e aparentemente são normais e felizes. Com a mudança e o desemprego, o casal acaba passando por uma crise no casamento. Até aqui tudo muito normal. Os primeiros capítulos são colocados de forma a te fazer entender como começou a vida deles, como eles se conheceram e como eles chegaram onde estão no relacionamento. E isso pode se tornar um pouco monótono de ler, porque tu acaba esquecendo sobre o que é a história. O casal continua tentando se adaptar a sua nova vida, quando depois de algum tempo na cidade natal de Nick, sua esposa desaparece de casa. A casa está bagunçada com evidentes sinais de briga. E é nesse ponto que as coisas melhoram  no enredo. Policiais são chamados para investigação, procurando saber se não foi o próprio marido quem cometeu o crime. Como não é achado corpo, a polícia trabalha com a hipótese de assassinato. Um dos detalhes interessantes desse livro é que os capítulos vão mudando de perspectiva. Um capítulo fala sobre Nick e seus pensamentos e outro nos traz um dia do diário de Amy. E é escrito de forma que parece que eles estão conversando contigo, o que te faz participar mais ainda da história.

Em relação ao relacionamento dos dois, somos introduzidos a uma tradição de aniversário de casamento. Amy espalha bilhetes com pistas que levarão a pista seguinte e que por fim, chegará ao presente escolhido por ela de acordo com o ano de casamento. O dia em que Amy desaparece é bem no dia do aniversário de casamento deles. A polícia acha a primeira pista e mostra a Nick na esperança de que ele entenda e possa levá-los até algum local em que Amy esteve e assim eles possam encontrar alguma informação sobre o desaparecimento.

Estar na mente de Nick é enlouquecedor e ao mesmo tempo encantador! Em certos momentos eu fiquei com uma raiva do modo como ele pensava, em outros com pena, em outros irritada… foi um mix de sentimentos. A Flynn sabe como te enlouquecer junto! Os personagens são montados com um perfil psicológico incrivelmente definidos, o que te faz estar na mente deles como que por mágica. Tu te pega analisando cada pensamento dos personagens, querendo se colocar no lugar deles e acaba berrando mentalmente “NÃO FAZ ISSO, NICK!” “SEU IDIOTA!” “AMY, SUA LOUCA!”. Sem contar que quando terminei o livro, ficava com meus pensamentos na história. Perfil de psicóloga. Ainda bem que passou (rs).

Em algumas vezes eu fiquei com medo, aquele medinho “gostoso” de não querer tirar o pé para fora da cama para não ser pega pelo “bicho-papão”. Uma tensão MUITO grande em razão de querer descobrir o que diabos tinha acontecido, e quando eu finalmente formei uma opinião sobre quem tinha feito tudo aquilo, eu tive minha mente toda bagunçada pela narrativa. Não era nada naquilo que tinha pensando. Acho que a carreira de investigadora do FBI está ‘cortada’ para mim (rs).

Mas voltando a história, os pais de Amy são informados do sumiço da filha, e logo chegam em Carthage. Os dois são descritos como um casal apaixonado e de muita consciência física um do outro. São dois psicológos que escreveram uma série de livros infantis chamados “Amy exemplar”, baseados na própria filha e que descrevem evento cotidianos para os pais aprenderem a ensinar e educar os filhos. Não posso falar mais nada sobre isso, se não acabo entregando algumas coisas. Aliás, não posso falar mais nada sobre a história, é muito spoiler! E tenho certeza que ninguém vai querer saber tudo que acontece. É tão mais legal ser surpreendido, ainda mais em um livro desse tipo.

A “graça” do livro é tentar descobrir quem é o responsável pelo desaparecimento de Amy. Será que foi Nick? Será que ela morreu ou foi sequestrada? Se não foi Nick, foi quem??? Como comentei antes, todas as minhas suspeitas se mostraram erradas.

Ao chegar no final do livro, fiquei chocada. Acho que não tem outra palavra para descrever a sensação. Definitivamente NÃO acreditei que aquele personagem tomaria aquela decisão. A minha vontade era entrar dentro da história e dar uns puxões de orelhas para ver se ele aprendia. Mas fiquei totalmente satisfeita, uma vez que é um final nada tradicional e clichê.

Aproveitem a leitura, vale muito a pena! O livro é ótimo e se seguir nessa mesma linha, pretendo ler mais livros da escritora!

E para terminar no clima do livro: O CASAMENTO MATA.

 

Detalhes técnicos:

  • Número de páginas: 448
  • Editora: Intrínseca
  • Ano: 2013
  • Autor: Gillian Flynn
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Publicado em 1 de agosto de 2013, em Livros Internacionais, Resenhas. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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