Pequena Abelha – Chris Cleave

PEQUENA_ABELHA_1285425763P “Não queremos lhe contar o que acontece nesse livro. 

É realmente uma história especial,e  não queremos estragá-la. Ainda assim, você precisa saber algo para se interessar, por isso vamos dizer apenas o seguinte: Essa é uma história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma delas precisa fazer uma escolha que envolve vida ou morte. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa… Depois de ler esse livro, você vai querer comentá-lo co m seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como a narrativa se desenrola.”

E foi essa sinopse mais a capa laranja que me chamaram a atenção para esse livro, escondidinho na estante da livraria, na parte de livros que ninguém gasta muito tempo. Quando comecei a ler, fiquei encantada com o tipo de narrativa. A sensação que eu tinha era de que a personagem falava diretamente comigo. Sei que a maioria dos livros fazem isso, quando tu realmente gosta dele, acaba se envolvendo na história de forma que tu começa a fazer parte daquele mundo. Mas dessa vez eu me senti diferente. Como se Abelhinha fosse uma pessoa que estivesse na minha frente, contando sua história, conversando comigo e expondo todos os seus medos e expectativas.

O livro é dividido em narrativas de Abelhinha e narrativas de Sarah. Não vou contar como elas se conheceram, vou respeitar o desejo do escritor. Mas posso dizer que os capítulos de Abelhinha são extremamente mais interessantes. Não por ela ser a personagem principal, mas sim pela forma que ela enxerga a vida, e a forma como ela expressa suas ideias. A minha sensação foi de ter feito uma amiga durante a leitura do livro, e como todos os amigos, queremos protegê-los, custe o que custar. Pequena Abelha não é um livro de alegrias, finais felizes e contos de fadas. Mas sim um livro que nos chama atenção para fatos reais, para os problemas e principalmente, o motivo de estarmos nesse mundo. É uma narrativa feita de forma simples, mas com uma genialidade incrível. Não vejo todo mundo gostando da história. Eu fiquei um pouco decepcionada com o final. Queria saber mais, queria ter lutado naquela praia e queria poder dizer a Abelhinha que tudo iria ficar bem. Mas isso não faz do livro ruim. Talvez eu estava com tanta expectativa em cima do final, que não consegui aproveitar ele como deveria. O livro é curto, portanto, a história não dá muitas voltas. Logo, somos apresentados aos fatos e convidados a entendê-los da melhor forma. Aspectos que foram abordados nas primeiras páginas, são trazidos à tona logo no final. Fazendo uma conexão com toda a história de forma que consigamos entender o funcionamento da cabeça de Abelhinha.

Vou trasncrever um trecho que me marcou e que me chamou atenção – Página 17:

“Nas pernas escuras da moça havia muitas cicatrizes brancas pequeninas. E pensei: Será que essas cicatrizes estão no seu corpo inteiro, como as luas e estrelas no seu vestido? Achei que isso também seria bonito, e peço-lhe neste instante que faço o favor de concordar comigo que uma cicatriz nunca é feia. Isto é o que aqueles que produzem as cicatrizes querem que pensamos. Mas você e eu temos de fazer um acordo e desafiá-los. Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser nosso segredo. Porque, acredite  em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: “Eu sobrevivi.” Daqui a pouquinho vou falar umas palavras tristes para você. Mas você deve escutá-las da mesma maneira como combinamos ver as cicatrizes. Palavras tristes são apenas uma outra forma de beleza. Uma história triste quer dizer: essa contadora de histórias está viva. Daí a pouco, alguma coisa boa vai acontecer com ela, uma coisa maravilhosa, e ela vai se virar e sorrir.”

Para terminar, Pequena Abelha não foi um dos livros mais marcantes que li. Acho que o escritor poderia ter usado outras formas em relação aos flashbacks e as narrativas no presente para acrescentar  melhores fatos no livro. Acho que faltou desenvolver um pouquinho a história, pois o temeroso acontecimento do livro é revelado muito precipitadamente e isso faz com que a magia da história se perca. Ainda assim, é uma boa história, que traz sentimentos como angústia, a todo o momento. Mas também traz aquele “cabinho” de esperança de que aquela velha amiga que fizemos no início do livro, vai ficar bem.

 

Editora: Intrínseca

Páginas: 270

Autor: Chris Cleave

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Publicado em 27 de dezembro de 2013, em Livros Internacionais, Resenhas. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. FUI ILUDIDO PELA RESENHA.
    O LIVRO É RUIMMM DE +++ MAIS
    O FINAL QUE BARULHEIRA E QUE BAGUNÇA MAIS SEM PE NEM CABEÇA.

    RUIM DEMAIS

    ALEXANDRE ALMEIDA

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    • Que pena que tenha se sentido dessa forma, Alexandre. Quando faça as resenhas, sempre coloco as minhas impressões sobre o livro, independente se tenha gostado ou não.
      Concordo contigo sobre o final, ele realmente é confuso. Mas como disse lá em cima na própria resenha, não acho que a história se torne ruim por conta do final. Poderia ter sido melhor desenvolvido, sem dúvidas. Mas é uma história que te faz pensar.

      Obrigado pelo comentário, é importante ler a opinião dos outros leitores! 😉

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