Conto “Loucura”

Boa noite!
Quero deixar para vocês lerem e opinarem sobre o meu 1° conto. Nunca havia feito esse tipo de coisa, e ele não foi escrito sobre nenhum assunto específico. Simplesmente sentei para escrever e ele saiu. haha
Boa leitura!

P.S. Para aumentar a experiência, favor ler quando for de noite, quando estiver sozinho e que tudo esteja em silêncio 😉

Loucura

Era meia noite. A cidade estava silenciosa. Mas minha mente era barulhenta. Era como se não houvesse ninguém na Terra. Não havia barulhos de televisão, de cachorro, dos vizinhos. A cidade estava vazia. O que diabos aconteceu com todo mundo? Olhava enlouquecidamente para o relógio. Por que essas coisas sempre aconteciam quando lá fora o sol já não brilhava mais?
Eu estava deitada na minha cama, quando ouvi o barulho. Meu quarto ficava no segundo andar da casa, e o barulho havia sido lá embaixo. O chão rangeu.
Passos.
Mais passos.
Sentei na cama. Não havia nada para iluminar a casa. E o som de chão rangendo se aproximava da porta do meu quarto.
O pânico estava me dominando. Queria chamar por alguém. Mas… por quem? Não havia ninguém para pedir socorro. Eu não lembrava de ninguém.
Levantei da cama e fui até o espelho do quarto. O reflexo não era uma coisa normal. Era de uma criatura que eu não reconhecia. Aquela não era eu. Por que minha aparência estava diferente? Quem roubara meu corpo?
As perguntas eram muitas. As respostas não existiam.
E o barulho continuava, cada vez mais forte.
A criatura no espelho tentava me dizer alguma coisa. Olhava fixamente dentro dos meus olhos. Mas o que ela queria dizer? Isso era enlouquecedor. Ou eu estava enlouquecendo. Por que alguém tomaria meu corpo e colocaria uma “coisa” esquisita no lugar? Sem sentido nenhum.
Distanciei-me do espelho e cheguei a janela. Levantei um pedaço da cortina delicada e olhei para a rua. Escuridão total. Nenhum barulho. Nenhum ser vivo do lado de fora. Ao que aparentava, de vivo, só havia eu e mais “a coisa” no andar de baixo.
Meu coração começou a bater mais forte. Eu deveria enfrentar o que estava acontecendo.
Respirei fundo duas vezes e cheguei até a porta. Quando coloquei minha mão na maçaneta, percebi que “a coisa” que fazia barulho lá embaixo se encontrava atrás da porta. E ao que tudo indicava, estava com a mão na maçaneta também. Quem abrirá primeiro…?
O silêncio era doloroso e o medo também. A essa altura, as batidas do meu coração estavam extremamente audíveis.
Tomei coragem, virei a maçaneta e escancarei a porta. Fechei meus olhos, esperando pela morte certa.
Passou-se uns minutos e… nada. Achei que “a coisa” já havia acabado comigo, pois nem senti. Melhor assim, mais fácil. Mas então, onde eu estava e por que ainda estava pensando?
Abri os olhos. Continuava no mesmo lugar de antes, parada com a porta aberta. E não havia nada na minha frente a não ser o espelho do corredor. Respirei fundo, tentando me acalmar.
Sai do quarto em direção ao espelho do corredor e, para minha surpresa, minha aparência havia mudado. Eu caminhava na minha direção. Era eu mesma de novo. Que estranho.
Foi quando notei, pelo reflexo do espelho, uma “coisa” atrás de mim.
Congelei. Senti um choque que desceu por toda minha espinha. Meu estômago borbulhou.
Ao me virar para olhar, meu coração disparou novamente, audível. Mas não havia nada lá. Relaxei. A criatura no espelho que era eu mesma,  tentava me dizer algo com os olhos, assim como a outra criatura. Ela aparentava estar muito tensa, como se estivesse esperando por algo. Ela tentava falar, mas as palavras não se formavam. Os lábios apenas tremiam, na tentativa de se abrirem.
Quando tirei os olhos de “mim mesma” e olhei por cima do ombro, paralisei com o reflexo que vira. O espelho não era um espelho, e sim outras pessoas. E todas elas tinham a mesma aparência que a minha. Elas me olhavam, todas com expressões de pavor no rosto, e o mais intrigante de tudo: sussurravam palavras incompreensíveis que soavam como um aviso.
Tentei gritar, mas meu grito era abafado. Quanto mais eu tentava, mais sem fôlego ficava. Fechei meus olhos e me encolhi no chão. Isso só podia ser um sonho muito ruim. Eu precisava acordar.
Silêncio.
Silêncio.

Abri os olhos e soltei um suspiro de alívio. Estava deitada na minha cama novamente. O relógio fazia o mesmo barulho conhecido. Eu estava em casa. Então havia sido um sonho. Suspirei de alívio mais um pouco.
Percebi que havia adormecido lendo, e que meu livro havia caído ao lado da cama. Abaixei-me para recolhê-lo e olhei para a capa do livro. “Loucura” era o título e abaixo dele havia a imagem que estava no meu sonho: a da criatura, “a coisa” que achei que estivesse usando o corpo. Voltei para a cama, sentei e fiquei um tempo refletindo sobre como ler antes de dormir influencia nos sonhos. O título do livro não estava para brincadeiras. Era loucura mesmo.

Estava pensando em voltar a dormir, quando ouvi aquele rangido conhecido no andar de baixo. A mesma sensação de pânico me dominou. Meu coração disparou, eu suava frio.
Ao mesmo tempo que ouvi o barulho, olhei em direção a porta. Ela foi se abrindo lentamente sozinha, rangendo as velhas dobradiças.
Passos.
Mais passos.
Olhava cada vez mais apreensiva para a porta, esperando. O som do meu coração era o único barulho no quarto.

Foi quando eu ouvi uma risada de criança bem baixinha atrás de mim, seguida de um sussurro próximo ao meu ouvido: – “shhh”, e…

Silêncio.

loucura

P.S.²: Não achei a fonte da foto, achei ela no google. Sintam-se à vontade para indicar a fonte 😉

 

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Publicado em 20 de junho de 2014, em Minhas criações e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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